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Atualizado em: Quinta-feira, 15 2018 novembro
Questões de desenvolvimento

Economia do Brasil: chave para a vitória de Bolsonaro, mas será que ele vai entregar?

Conteúdo por: Voz da América

SAO PAULO -

A chave para a recente vitória eleitoral de Jair Bolsonaro foi o apoio da comunidade empresarial do Brasil, que se uniu em torno dele porque prometeu reformar a maior economia da América Latina e abordar seu preocupante déficit orçamentário.

Mas o presidente eleito tem sido mesquinho com os detalhes, e muitos se perguntam se ele manterá sua recente conversão a reformas favoráveis ​​ao mercado ou se o nacionalista adormecido nele poderá reaparecer.

Mesmo se ele se aferrar à agenda estabelecida por seu guru econômico Paulo Guedes, economista treinado na Universidade de Chicago e o homem que convenceu muitos investidores a se aventurar em Bolsonaro, o ex-capitão do Exército pode enfrentar uma feroz oposição no Congresso e sindicatos para o que serão, sem dúvida, medidas impopulares. Sua agenda econômica também terá que competir por prioridade com suas promessas mais conhecidas de reprimir o crime e a corrupção, e as últimas são muito mais caras para seu coração - e sua base.

"Não está claro o que é Bolsonaro quando se trata de política econômica", disse Matthew Taylor, professor associado da Escola de Serviço Internacional da American University. "Ele mesmo admitiu a ignorância na frente econômica, mas também é um estatista extraordinário e nacionalista".

Durante anos, Bolsonaro, que será inaugurado em janeiro 1, apoiou o envolvimento pesado do Estado na economia, e ele continua sendo um admirador do regime militar 1964-1985 do Brasil, que apoiava as políticas nacionalistas. Mas durante a campanha ele adotou princípios de livre mercado.

Não está claro quão completa é a conversão dele. Por exemplo, depois que Guedes disse aos repórteres que apoiava a privatização de todas as dezenas de empresas estatais brasileiras, Bolsonaro recuou, dizendo que venderia muitas, mas manteria as "estratégicas", incluindo grandes nomes como Petrobras e Banco do Brasil.

Em meio a esse turbilhão de dúvidas, uma coisa é clara: o Brasil deve rapidamente reduzir seu déficit ou corre o risco de voltar à crise. Uma análise do Banco Mundial concluiu no ano passado que o Brasil gasta mais do que pode pagar e gasta mal.

O déficit do governo central do Brasil foi de 7 por cento do produto interno bruto em 2017, de acordo com o Banco Central, e tem estado acima de 5 por cento nos últimos anos. Uma grande parcela é o pagamento de juros da dívida, mas mesmo excluindo esses, o Brasil ainda tinha um déficit primário de 1.8 por cento do PIB no ano passado - o que os economistas dizem ser insustentável porque significa que o nível de endividamento já elevado continuará a crescer.

A nova administração terá apenas uma janela estreita para mostrar aos investidores que é sério tratar desse problema - cortando gastos ou aumentando os impostos - antes que eles comecem a recuar, dificultando um ajuste, porque isso pode elevar os custos dos empréstimos.

Combinando o desafio, o Brasil está apenas começando a sair de uma recessão de dois anos e o crescimento continua estagnado. Isso significa que não pode contar com grandes aumentos na arrecadação de impostos para ajudar a fechar o buraco - e Bolsonaro chegou a prometer reduzir as alíquotas de impostos.

Paulo Guedes, assessor econômico-chefe do presidente eleito Jair Bolsonaro, parte depois de uma reunião com Bolsonaro e membros de seu partido e campanha, para discutir a transição presidencial no Rio de Janeiro, Brasil, outubro 30, 2018.
Paulo Guedes, assessor econômico-chefe do presidente eleito Jair Bolsonaro, parte depois de uma reunião com Bolsonaro e membros de seu partido e campanha, para discutir a transição presidencial no Rio de Janeiro, Brasil, outubro 30, 2018.

Guedes, que vai liderar o Ministério da Economia, parece estar enviando apenas esse sinal horas após a vitória de Bolsonaro em outubro 28. Ele apresentou um plano em três partes para reduzir os gastos públicos do Brasil aprovando uma reforma previdenciária, privatizando as empresas estatais para reduzir a dívida e promulgar outras reformas não especificadas que reduzirão "privilégios e desperdícios".

A reforma previdenciária será a chave para reduzir os gastos do Estado no Brasil por duas razões: o governo brasileiro gasta mais em aposentadorias do que qualquer outra coisa, e muitas outras partes do orçamento não podem ser alteradas porque são obrigatórias pela constituição.

As tentativas de reformar o sistema previdenciário provavelmente enfrentarão uma forte resistência por parte dos sindicatos trabalhistas e outros grupos, já que qualquer medida obrigará os brasileiros a trabalhar por mais tempo e receber menos benefícios. Bolsonaro, que nos anos 27 no Congresso não mostrou nenhum dom especial para a construção de consenso, terá que construir uma ampla coalizão para fazer uma reforma. Seu Partido Social Liberal detém cerca de 10 por cento dos assentos no próximo Congresso, mas o mesmo acontece com o Partido dos Trabalhadores, que é contra tal reforma e prometeu forte oposição.

O presidente do Brasil, Michel Temer, posa para um retrato no Four Seasons Hotel durante a 73rd sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, em setembro 24, 2018, em Nova York.
O presidente do Brasil, Michel Temer, posa para um retrato no Four Seasons Hotel durante a 73rd sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, em setembro 24, 2018, em Nova York.

O presidente Michel Temer, conhecido por sua capacidade de negociar com o Congresso, fracassou nessa tarefa. Ainda assim, Glauco Legat, analista-chefe da corretora Spinelli, aponta que a vitória decisiva de Bolsonaro lhe confere mais legitimidade do que Temer, que chegou ao poder depois que seu antecessor foi impedido em um processo polêmico.

Qualquer reforma será cortada para ganhar votos, mas Monica de Bolle, diretora de Estudos Latino-Americanos da Universidade Johns Hopkins, diz que teme que a proposta de Bolsonaro não tenha ambição desde que ele indicou que deixará o pessoal militar. fora disso. Isso também pode significar que ele excluirá outros setores do serviço civil, que são essenciais para resolver o problema.

"O processo de diluição vai acontecer com base em uma reforma já diluída", disse ela.

Além da reforma previdenciária, Bolsonaro prometeu reduzir o tamanho do estado, incluindo reduzir pela metade o número de ministérios e vender empresas estatais. Reduzir o número de ministérios poderia gerar algumas economias, mas outros presidentes têm lutado para fazer isso mais do que o nome. E Bolsonaro já tirou da mesa muitas empresas estatais que renderiam mais dinheiro.

Em vez disso, os economistas dizem que muitas das economias estão na eliminação de ineficiências. Guedes não deu detalhes, mas se levar a sério a redução do desperdício, há muito: A análise do Banco Mundial destacou os altos salários do funcionalismo público, um mandato constitucional sobre gastos com educação que muitas vezes resulta em gastos para gastar, sobrepondo-se a programas de assistência social. e a proliferação de pequenos hospitais no sistema público de saúde.

Apesar dos desafios, Legat disse que é importante lembrar que apenas em virtude de dizer que ele vai enfrentar os complicados problemas do Brasil, o Bolsonaro construiu uma dinâmica que pode ter efeitos no mundo real.

"Ele traz otimismo que é muito importante para a economia neste momento", disse ele. "Esse aumento na confiança é refletido em números reais".

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