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Atualizado em: Sexta-feira, 19 2018 outubro
Questões de desenvolvimento

Venezuela enfrenta pedidos por sonda depois que ativista da oposição morre em custódia

Conteúdo por: Voz da América

CARACAS -

A Venezuela enfrentou na terça-feira pedidos internacionais para uma "investigação transparente" sobre a morte sob custódia de um membro da oposição que, segundo o governo, se jogou de uma janela da sede dos serviços de inteligência do Estado.

Fernando Alban, membro do conselho da cidade de Caracas, 52, acusado de participar de um ataque fracassado com drones ao presidente Nicolas Maduro, estava em prisão preventiva na segunda-feira, no momento de sua morte, que o governo apresentou como suicídio.

O procurador-geral Tarek William Saab disse na televisão estatal que Alban, que havia sido preso na sexta-feira, pediu para ir ao banheiro e se atirou de uma janela.

A morte provocou manifestações de preocupação por parte das Nações Unidas e da União Européia, que exigiram uma investigação.

A embaixada dos EUA em Caracas disse que a morte foi "suspeita".

O caixão contendo o corpo de Alban foi levado para a legislatura, onde foi colocado no jardim e cercado por políticos e parentes.

A legislatura é a sede da assembléia nacional da oposição-maioria, mas seu poder foi usurpado por um novo órgão legislativo - a Assembléia Constituinte todo-poderosa criada por Maduro e composta por seus partidários.

O governo de Maduro tem "a obrigação de garantir a segurança, a integridade pessoal e a dignidade de [Alban]", disse aos repórteres uma porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU em Genebra, Ravina Shamdasani.

"Estamos preocupados com a notícia de sua morte. Nós realmente pedimos uma investigação transparente para esclarecer as circunstâncias de sua morte", acrescentou.

As pessoas carregam o caixão do parlamentar da oposição Fernando Alban durante uma cerimônia na Assembléia Nacional em Caracas, Venezuela, outubro 9, 2018.
As pessoas carregam o caixão do parlamentar da oposição Fernando Alban durante uma cerimônia na Assembléia Nacional em Caracas, Venezuela, outubro 9, 2018.

Em um comunicado, a União Européia também exigiu "uma investigação completa e independente" para esclarecer as circunstâncias da "morte trágica" de Alban.

"A UE reitera seu apelo ao governo venezuelano para libertar todos os presos políticos", acrescentou a porta-voz da UE, Maja Kocijancic.

O chefe da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, escreveu no Twitter que a morte de Alban era "a responsabilidade direta de um regime de tortura e assassinato".

O partido de Alban, First Justice, culpou o governo pela morte.

"Nós responsabilizamos Maduro e seu regime de tortura", afirmou em um comunicado.

Incidente Drone

Alban estava entre pelo menos 15 pessoas presas e acusadas de suposta participação no incidente com o drone August 4 que Maduro retratou como uma tentativa de assassinato.

O presidente venezuelano foi visto reagindo na televisão ao vivo a uma explosão fora da câmera enquanto ele se dirigia a um desfile militar em Caracas.

Uma segunda explosão foi ouvida, e então as tropas reunidas foram vistas quebrando a formação e se dispersando em pânico.

Maduro disse que as explosões foram feitas por explosivos carregados de drones enviados para assassiná-lo, apesar de figuras da oposição acusarem Maduro de fabricar o incidente para intensificar a repressão em seu país, que está sofrendo uma crise econômica.

Maduro culpou o ataque do drone ao fundador da First Justice Julio Borges, que agora vive exilado na Colômbia.

"Assassinos!" Borges disse no Twitter. A "crueldade da ditadura acabou com a vida de Alban".

O procurador-geral prometeu uma investigação completa.

O presidente norte-americano visitante do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Bob Corker, disse no Twitter que o governo tinha "a responsabilidade de garantir que todos entendessem como isso poderia ter acontecido".

Oponentes do presidente venezuelano Nicolas Maduro demonstram em frente ao prédio do serviço de inteligência, SEBIN, onde o vereador da oposição, Fernando Alban, supostamente se suicidou, em Caracas, outubro 8, 2018.
Oponentes do presidente venezuelano Nicolas Maduro demonstram em frente ao prédio do serviço de inteligência, SEBIN, onde o vereador da oposição, Fernando Alban, supostamente se suicidou, em Caracas, outubro 8, 2018.

Alban viajou a Nova York na semana passada para visitar seus filhos e acompanhou Borges às Nações Unidas. Ele foi preso em seu retorno a Caracas.

â € <Vigília, protesto

No final da segunda-feira, dezenas de pessoas com velas realizavam uma vigília do lado de fora da sede do serviço de inteligência, conhecido como o Sebin, para protestar contra a morte.

"Isso não é suicídio, isso é homicídio", gritavam os manifestantes aos guardas.

O ex-candidato presidencial Henrique Capriles, também membro da Primeira Justiça, disse que o governo de Maduro foi o responsável.

"Aqueles de nós que conheciam Fernando sabem que ele nunca poderia ter agido contra sua vida", disse ele no Twitter.

O advogado do vereador, Joel Garcia, disse a repórteres que é muito cedo para confirmar se o caso foi suicídio.

A Igreja Católica, um crítico aberto do governo, também questionou a versão oficial de sua morte. A arquidiocese de Caracas disse em uma declaração que Alban estava "sereno e calmo" e planejava projetos de trabalho social para os pobres no domingo antes de sua prisão.

O ministro do Interior e da Justiça, general Nestor Reverol, lamentou a morte do político que, segundo ele, estava "envolvido em atos desestabilizadores dirigidos do exterior".

A Venezuela acusa seu vizinho Colômbia de proteger os autores da suposta tentativa de assassinato.

Os Estados Unidos condenaram, em agosto, supostas detenções arbitrárias e confissões forçadas do governo venezuelano em sua investigação do incidente com os drones.

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